Escola do Legislativo promove debate sobre desafios do autismo na vida adulta

O debate sobre o Transtorno do Espectro Autista (TEA) frequentemente se concentra no diagnóstico precoce e na infância, deixando uma lacuna importante sobre os desafios enfrentados na fase adulta. Para lançar luz sobre essa realidade, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS), por meio da Escola do Legislativo Senador Ramez Tebet, realizará na segunda-feira (6), às 10h, uma palestra em alusão ao Abril Azul, mês de conscientização sobre o autismo.

Com o tema “Autismo e Inclusão na Vida Adulta: Informação, Conscientização e Acolhimento”, o evento busca desmistificar o TEA na maturidade, abordando a inserção no mercado de trabalho, a autonomia, os relacionamentos e a necessidade de políticas públicas contínuas de saúde e educação. O encontro será conduzido pelo psicólogo Thiago dos Santos Ferraz, no Plenarinho Deputado Nelito Câmara.

Formado pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB), Thiago é especialista em Análise do Comportamento Aplicada (ABA) pelo Instituto Brasiliense de Análise do Comportamento (IBAC). Além disso, é mestre em Psicologia pela Universidade Federal da Grande Dourados (UFGD), com pesquisa na linha de Processos Comportamentais e Cognitivos.

Pesquisadores do King's College London (KCL) revelaram um dado alarmante em um novo estudo sobre o autismo na fase adulta e terceira idade. De acordo com eles, cerca de 89% dos adultos autistas com idades entre 40 e 59 anos, e 97% daqueles com mais de 60 anos, não possuem o diagnóstico, o que tem consequências significativas para a saúde, o bem-estar e a qualidade de vida. 

Embora o estudo se concentre no Reino Unido, um padrão semelhante se repete em todo o mundo. De acordo com a revista Nature, o número de pessoas autistas com 70 anos ou mais subiu de 894.700 em 1990 para quase 2,5 milhões em 2021. Estima-se que esse número dobre para 5,1 milhões de pessoas até 2040. 

No Brasil, o Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (PPGCS) da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) constatou, com base no Censo Demográfico de 2022, que cerca de 300 mil idosos brasileiros têm algum grau de TEA.

“Milhares de pessoas podem estar vivendo com TEA sem qualquer reconhecimento ou ajuda. Essas gerações ocultas de adultos permanecem em grande parte invisíveis e isso não pode ser ignorado. Diante desse cenário, a palestra promovida pela Escola do Legislativo se torna uma iniciativa essencial para ampliar o debate e dar visibilidade a uma realidade ainda pouco discutida. Ao levarmos informações, reforçamos a necessidade de olhar para o autismo em todas as fases da vida”, destacou a deputada Mara Caseiro (PSDB), presidente da Escola do Legislativo.